5 Conversas Inspiradoras na FAVA 2026 sobre Direitos, Veganismo, Nutrição, Sustentabilidade e Sociedade
Espaço de reflexão, cidadania ativa e empatia: revisita as conversas que marcaram a VII edição da Feira do Ambiente e Vegan do Algarve, em Loulé, e assiste aos vídeos na íntegra.
A FAVA – Feira do Ambiente e Vegan do Algarve, organizada pela nossa associação BENFAZER - Associação para o Bem-Estar Social, Ambiental e Animal, em parceria com a Câmara Municipal de Loulé, continua a consolidar-se no Parque Municipal de Loulé como uma referência nacional e europeia na promoção da sustentabilidade, do veganismo e bem-estar integral. Com uma centena de marcas e um programa gratuito com mais de 100 atividades e espetáculos de rua, o evento acolheu debates e partilhas que alimentaram não só o espírito crítico e a cidadania ativa, mas também o paladar de quem nos visitou.
Durante três dias, especialistas, autarcas, profissionais de saúde, ativistas e criadores de conteúdo juntaram-se num ciclo de conversas, gravadas ao vivo num dos palcos da FAVA e aliaram a reflexão política e académica à partilha de experiências de vida. Todas as sessões foram acompanhadas pela degustação de sabores 100% vegetais.
Se não tiveste oportunidade de acompanhar ao vivo, ou queres rever as intervenções mais marcantes, reunimos a síntese completa das 5 Conversas que enriqueceram a FAVA 2026, com os links para assistir às gravações na íntegra.
Para explorar o ecossistema do evento e consultar mais informações, visita o site oficial da FAVA.
1. Liderança Municipal pelo Clima: O Plant Based Treaty na Agenda dos Autarcas
Intervenientes:
- Noel Santos (Moderador): Representante do Plant Based Treaty (Tratado Baseado em Plantas) em Portugal;
- Sónia Pires: Vereadora do Ambiente e Ação Climática da Câmara Municipal de Tavira;
- Júlio Sousa: Diretor Municipal do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara Municipal de Loulé.
Agradecemos à Tiny Mangoes pela oferta de saborosos croquetes de soja servidos à audiência durante a sessão.
Podes assistir ao vídeo completo no YouTube do Algarve ao Vivo.
Esta conversa colocou em evidência o papel crucial dos órgãos do poder local na resposta às alterações climáticas e na revisão das políticas alimentares municipais.
Sónia Pires partilhou a experiência de Tavira como o primeiro município português a assinar o Plant Based Treaty, destacando a formação de equipas técnicas, a adoção exclusiva de menus vegetais no festival Ecológita e o aumento das refeições vegetais nas escolas de 1 vez por mês para 1 vez por semana.
Júlio Sousa apresentou a estratégia hídrica e de descarbonização de Loulé, sublinhando o compromisso de plantar 400.000 árvores autóctones (programa Uma Árvore da Vida), a instalação de energia solar fotovoltaica que produz cerca de 15MW diários de energia, investimento na mobilidade verde e adesão ao movimento “zero-desperdício”.
Noel Santos lembrou que o sistema alimentar representa cerca de um terço das emissões de gases com efeito de estufa em Portugal e que a mudança para menus vegetais nas escolas reduz a pegada de carbono de 5–6 kg de CO₂ para cerca de 1 kg por prato.
Tópicos em Discussão
- Alimentação e Clima: Qual é o peso real do sistema alimentar na pegada de carbono dos municípios e porque razão este tema continua secundarizado nos grandes acordos internacionais?
- Transição nas Escolas e Eventos: Como é que uma autarquia consegue vencer os receios técnicos e os preconceitos da comunidade para introduzir refeições 100% vegetais em refeitórios escolares e eventos públicos?
- A Verdadeira Dieta Mediterrânica: De que forma a comunicação atual distorceu a matriz predominantemente vegetal da Dieta Mediterrânica e como recuperar a sua essência sustentável?
- Combate à Escassez Hídrica: Que soluções práticas e florestação autóctone estão os municípios do Algarve a adotar contra a seca?
- Ação Local vs. Desflorestação Global: Pode a ação municipal de plantação de árvores ser eficaz perante a destruição florestal promovida pelo modelo pecuário global?
2. Pergunta o que Quiseres: Bastidores, Desafios e Veganismo no Digital
Intervenientes:
- Ana Brandão: Especialista em marketing digital focada no veganismo (@thevegetariana.pt);
- Carolina: Engenheira e comunicadora natural (@carolina.veganportugal)
- Júlia Rebelo: Médica com uma visão integrativa sobre saúde e ética (@juliaferreirarebelo);
- Constança Santos: Nutricionista apaixonada pela alimentação vegetal (@happynutricook).
Muito obrigado à Tiny Mangoes pela oferta de um aveludado leite creme 100% vegetal aprovado pelo público.
Podes assistir ao vídeo completo no YouTube do Algarve ao Vivo.
Num formato descontraído e interativo, guiado por questões enviadas pelos seguidores no Instagram e audiência, as quatro criadoras de conteúdo abordaram os bastidores da comunicação digital sobre o veganismo em Portugal. A sessão desmistificou preconceitos e abordou abertamente os desafios da exaustão digital (burnout), a criação de conteúdos éticos e fundamentados na ciência, bem como o desapego do perfeccionismo ao comunicar causas sociais.
Durante a conversa, Ana Brandão recordou a génese da sua página durante o confinamento e a evolução de simples vídeos de receitas no TikTok para um guia abrangente de opções vegetais em supermercados e restaurantes.
A reforçar a vertente prática do quotidiano, Carolina explicou que a sua motivação passa por mostrar o dia a dia real do veganismo no contexto português, garantindo conteúdos acessíveis que ajudam ativamente quem procura fazer escolhas mais sustentáveis.
Na vertente da saúde e nutrição, Constança Santos frisou a relevância das redes sociais enquanto portfólio profissional, destacando o seu papel na democratização do acesso à ciência da nutrição vegetal e na construção de laços de confiança com a comunidade.
A Dra. Júlia Rebelo abordou o preconceito ainda existente na comunidade médica e partilhou estratégias subtis para introduzir a alimentação de base vegetal no meio clínico, defendendo a urgência de ligar a prática médica à saúde integrativa e à ética animal através de um diálogo aberto, fundamentado e livre de estigmas.
Tópicos em Discussão
- Propósito e Início: O que motiva cada uma a expor-se nas redes sociais para comunicar sobre o estilo de vida vegano e alimentação à base de plantas?
- Sensibilizar sem Impor: Como incentivar doentes e utentes a comerem mais vegetais em contexto clínico e hospitalar, sem adotar uma atitude agressiva ou moralista?
- Ceticismo Médico e Duplo Critério: Porque persiste no meio clínico a tendência para culpar a dieta vegetariana por qualquer sintoma de saúde, ao mesmo tempo que se aceita com naturalidade a presença de charcutaria nas escolas?
- Saúde Mental e Burnout: Como gerir empregos exigentes e vida familiar com a pressão quase sufocante da presença online?
- Perfeccionismo vs. Espontaneidade: Porque é que um vídeo simples gravado na cozinha ou no supermercado tem, muitas vezes, mais alcance e impacto do que uma produção elaborada?
- Combate à Desinformação e Haters: Como filtrar estudos científicos controversos, combater mitos propagados por perfis sem qualificação e gerir o ódio digital com humor e resiliência?
3. Veganismo: Filosofia Humanista vs. Capitalismo Verde - Do Podcast Antitudo
Intervenientes:
- Cobramor (Hugo Lopes) - Moderador: Escritor, copywriter e autor do Podcast Antitudo (@cobramor);
- Noel Santos: Ativista, co-responsável pelo Save & Care - Santuário Animal e pelo Plant Based Treaty Portugal (@a_arca_de_noel);
- Alice Basílio: Ativista anti-opressão e co-fundadora do Save & Care - Santuário Animal (@alice.in.utopialand).
Um agradecimento especial à V-Gun pelas deliciosas tâmaras com presunto vegetal e à Les Douceurs d'Hélène pelas gulosas bolachas sem glúten.
Podes assistir ao vídeo completo no YouTube do Algarve ao Vivo.
Conduzido pelas provocações intelectuais de Hugo Lopes (Cobramor), este painel promoveu uma reflexão profunda sobre as contradições ideológicas e sociais do veganismo contemporâneo. Questionou-se a mercantilização do movimento pelo "capitalismo verde", a apatia social generalizada diante de crises internacionais e humanitárias (como o conflito na Palestina) e o desafio de cultivar a compaixão num mundo crescentemente individualista.
Alice Basílio sublinhou a importância de manter a coerência ética e o ativismo no terreno, mesmo perante cenários sociais adversos, enfatizando a necessidade de um ativismo interseccional que não isole a causa animal de outras opressões humanas.
Noel Santos refletiu sobre a evolução dos movimentos de libertação animal e ativismo (como a Animal Save e as ações da ALF), defendendo a legitimidade da resistência compassiva e a urgência de ligar a luta pelos direitos animais ao combate contra o racismo, o patriarcado e a destruição ambiental.
Tópicos em Discussão
- Mercantilização do Veganismo: Como impedir que uma postura ética e política de libertação animal seja esvaziada pelo "capitalismo verde" e reduzida a um nicho comercial de consumo?
- Interseccionalidade e Lutas Sociais: É possível dissociar a libertação animal da luta contra o patriarcado, o racismo e a indiferença perante crises humanitárias e conflitos internacionais?
- Apatia Social pós-Covid: Porque é que a sociedade atual demonstra tanta dificuldade em ter empatia e como articular o ativismo de base (Santuário Save & Care) com a ação política junto de órgãos de soberania?
- Imperativo Ético: É legítimo e sustentável manter o ativismo por imperativo moral e compaixão, mesmo quando as mudanças estruturais parecem tão distantes?
4. Direitos, Desafios e Mitos: Afinal, O Que É o Feminismo Hoje?
Intervenientes:
- Susana Helena de Sousa (Moderadora): Fundadora do projeto Muros - Imaginamos a Euroregião AAA;
- Lúcia Vicente: Escritora, investigadora e educadora sobre igualdade de género e direitos humanos (@lucia_m_vicente);
- Júlia Rebelo: Médica de família, ativista e comunicadora (@juliaferreirarebelo);
- Alice Basílio: Ativista anti-opressão e fundadora do Save & Care - Santuário Animal (@alice.in.utopialand).
Um agradecimento à V-Gun pelo reforçado chili com nachos 100% vegetal servido a todos os participantes.
Podes assistir ao vídeo completo no YouTube do Algarve ao Vivo.
Um painel esclarecedor e impactante que desconstruiu os conceitos, mitos associados e retrocessos em torno dos feminismos na sociedade contemporânea.
A Lúcia Vicente traçou a evolução histórica das diferentes ondas do movimento feminista, explicando que a Reação Patriarcal surge como uma resposta insegura perante a perda de privilégios masculinos tradicionais. Foi explorado também o impacto da "manosfera" e das redes sociais na juventude.
A Júlia Rebelo denunciou a discriminação de género e o viés machista na prática médica, exemplificando como o diagnóstico tardio de patologias femininas decorre da desvalorização dos seus sintomas.
A Alice Basílio falou um pouco da sua história de experiências traumáticas vividas e que culminaram na sobrevivente e ativista que é hoje. Abordou as intersecções entre feminismo e libertação animal, expondo os pontos de contacto entre a opressão de género e a exploração animal.
Tópicos em Discussão
- Conceito e Mitos: Como desmistificar os estigmas em redor da palavra "feminismo" e compreender a passagem do sufrágio histórico para a quarta onda interseccional?
- Reação Patriarcal (Backlash): De onde surge o crescimento de discursos extremados online (Red Pill, macho alfa) junto da juventude e de que forma ameaçam os direitos conquistados?
- O Viés de Género na Medicina: Porque é que as queixas de dor e os sintomas orgânicos das mulheres continuam a ser catalogados precipitadamente nos serviços de saúde como "ansiedade" ou "causa emocional"?
- Feminismo e Exploração Animal: Qual é o paralelo ético entre o controlo histórico do corpo feminino na sociedade e a instrumentalização da capacidade reprodutiva das fêmeas na pecuária?
5. Desporto, Nutrição e Saúde no Feminino
Intervenientes:
- Susana Guerreiro (Moderadora): Associação BENFAZER.
- Inês Lapa: Nutricionista e autora de A Nutricionista Explica (@anutricionistaexplica).
- Júlia Rebelo: Médica de família com olhar integrativo (@juliaferreirarebelo)
O nosso agradecimento à Tiny Mangoes pela oferta de folhadinhos de azeitona 100% vegetais servidos na sessão.
Podes assistir ao vídeo completo no YouTube do Algarve ao Vivo.
Esta conversa que encerrou o ciclo de debates no palco da FAVA 2026 explorou a interseção entre a saúde feminina, o exercício físico e a nutrição 100% vegetal.
A Júlia Rebelo alertou para os perigos do recurso a fármacos de emagrecimento sem apoio médico, apelando à valorização dos sinais do corpo na perimenopausa e à cessação do estigma da dor menstrual.
A Inês Lapa desmistificou preconceitos de nutrição na dieta plant-based e estabeleceu a distinção entre estética, saúde e alta performance desportiva, sublinhando que corpos atletas de elite nem sempre são os mais saudáveis e que a massa muscular e o sono/ descanso são vitais para a longevidade.
Tópicos em Discussão
- A Lacuna na Investigação Científica: Porque é que a maioria dos ensaios clínicos desportivos e médicos continua a ser feita em homens e como é que essa escassez de dados prejudica a saúde feminina?
- Normalização da Dor: Porque continuamos a aceitar dores menstruais incapacitantes (endometriose/adenomiose) ou os desconfortos da perimenopausa como algo "normal" que a mulher tem de suportar?
- Mitos da Proteína Vegetal: É possível ter excelente rendimento físico, ganho de massa muscular, saúde óssea e recuperação desportiva com uma dieta 100% à base de plantas?
- Pressão Estética e "Ozempic": Quais os riscos reais para a saúde (perda de massa muscular, desnutrição e dependência) do recurso sem supervisão a injeções de emagrecimento para atingir padrões de magreza extrema?
- Ciclo Menstrual e Autocuidado: Como adaptar o treino, a alimentação e os períodos de descanso às diferentes fases do ciclo hormonal, desconstruindo a ideia de que "parar é preguiça"?
Um Caminho Coletivo para o Bem-Estar
O ciclo de conversas da FAVA 2026 demonstraram que as grandes transformações começam no diálogo e na escuta ativa. Tanto através da liderança autárquica, da ciência da nutrição, da inovação gastronómica ou da comunicação digital, cada reflexão inspira-nos a agir, seja na área da defesa dos direitos humanos, no respeito pelos animais não-humanos ou na preservação do planeta, cada um de nós é um agente de mudança.
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